sábado

toco o veludo negro que me ficou

escureceu 
escureceu por aqui 
estás a ver...?
não vejo nada .. 
de repente 
te estranho 
e só me sinto..


estranhos... estes perfeitos amores
mas toco o veludo negro que me ficou
deixam-me que lhes toque 
afago 

deixas marcas num ar que me fica 
dedos que se vêem e que não me tocam
nem existem

escureceram assim de repente 
viste?
amores negros
aveludados 


mas encontro o seu tacto 
e não te toco
não me tocas
mas toco o veludo negro que me ficou

estranhamente só vejo a sombra dos teus dedos 
o branco cega-me 
toco devagar aquele veludo escuro 
escureceu 
ficou perfeito
ficou macio

encadeada por pontos brancos e frios 
embriago-me nesse escuro veludo


escureceu 
escureceu por aqui 
o negrume que me dás 
embeleza-me

tão estranhos amores imperfeitos 
perfeitos no tacto
 lisos...
macios...
quentes ...


que de amor
só tem que ser assim
uma espécie estranha 
num aveludado
que 
escureceu 


é raro ...
viste?
deixei de ver 
estranho-te 
e
sinto-o... 
toco
esse estranho amor escurecido
já não me estranha ...
e não me toca 

Teresa Maria Queiroz / 5 Novembro
Foto / Eduardo Rosas

3 comentários:

Sonhadora disse...

Minha querida
Adorei este poema, uma bela parceria.

mas encontro o seu tacto
e não te toco
não me tocas
mas toco o veludo negro que me ficou

Adorei, diz-me tanto.

beijinhos com carinho
Sonhadora

Vitor disse...

Que dizer?...muita inspiração,simplesmente genial!
Parabéns

Bj*

Anónimo disse...

Perche non:)