terça-feira

corroendo solas de pés, pisadas.

já sem formato de qualquer corpo
sem já estar por ali sentada, desembrulho-me de panos
húmidos
segui , corroendo pés descalços
frescos
destapados de panos tombados
que por ali ficaram
sentados em pau
já sem corpo que envolvessem
manchados de amor desfeito
já sem formatos de mim
num trono desamparado
perfeito
repousado
embrulhado em panos que já não voam
pesados
descansam-me desamores
sentados em nada
já não caem
já sem formato de qualquer corpo
desembrulho-me do peso dos panos
caídos
sentados
amarrotados
manchados
molhados de amor desfeito
segui por aí ...
corroendo solas de pés, pisadas.

Teresa Maria Queiroz - Dezembro 2011
Foto - Eduardo Rosas

5 comentários:

Luís Coelho disse...

O amor não tem formas e podemos libertá-lo por aí correndo de pés descalços e nus de formas.

João disse...

Gostei!

Madame disse...

Oeeee...passando pra desejar uma otima semana.
beijocas

Sonhadora disse...

Minha querida

Um poema simplesmente maravilhoso...tantas vezes caminhamos sem nós, pisando os restos do que foi.
Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora

MUSABABI ana bárbara santo antónio disse...

Pesados panos poéticos que desnudam teu deixar para trás no vazio sentado do Ser... não perdendo a esperança das lembranças em nudez da Poesia...

Beijinho

ana barbara santo antonio