sábado

ALICE A SUL DO SEU PASSADO - A Senhora da Escola de Linguas - capítulo 6

 André sabia como manipular habilidosamente, com as suas delicadas mão de mágico, as finas linhas de cordel que controlavam os movimentos de Alice ,tal como a uma marioneta desengonçada.
Alice contentava-se com a sua atenção, com o seu olhar transparente, com a subtil condução daqueles cordéis invisíveis. Direccionavam-na para caminhos solitários, nos quais Alice pensava viver feliz, bebendo em sorvos pequenos, o sorriso que André lhe dedicava aos bocadinhos.
André sabia como fazer para que Alice se sentisse unica naquele mundo tão estranho e insólito, assim criado por eles.
Construía em volta de Alice uma bolha de cristal fino, intransponível, onse só André podia entrar e sair, e na qualq entrava e saía sempre inquieto e sem nunca se deixar ficar demasiado tempo.
Alice, presa a esta espécie de desamor, continuava a imaginar que vivia feliz.
Depois de lutas imensas e silenciosas, de muita espera desesperadamente arrasadora e de lágrimas que ninguém via, tinha chegado o tempo tão desejado.
Iam finalmente viver os dois, um ao lado do outro. Todos os dias.
Alice pensava que nada disso lhe estava a acontecer. Quatro meses de espera, sozinha naquela cidade a Sul...
Finalmente André tinha decidido ficar sem saber por quanto tempo, talvez para sempre.
André presenteou-a com a sua liberdade e Alice rodopiva feliz, outra vez.
Absorvendo toda a luz daquele Sol que a fazia brilhar, Alice transformava-se num enorme girassol.
Escolheram uma outra morada em Faro, começavam tudo de novo, agora os dois em qualquer casa desde que fosse uma casa diferente. Uma casa que não carregasse aquela tristeza disfarçada, na qual Alice se tinha refugiado sem ninguém ver. 
Quase por acaso, tinham decidido adoptar uma cadelinha que nasceu duma ninhada cruzada. E um dia, foram buscar a Beky, que já se mudou com eles para a casa nova. 
A casa era branca. Na melhor Avenida de Faro.
Alice vivia dentro da sua bolha, imaginava que contruía assim uma rara e esquisita família, começavam a assumir em conjunto pequenas responsabilidades.
A casa escolhida, era tal e qual como tinham imaginado , os dois olhando a luz do farol que inundava o quarto da velha primeira casa, entre abraços e gargalhadas.
Alice, quase sempre, conseguia tudo aquilo a que se propunha, mais ainda se fosse também vontade de André.
Nada podia ser mais perfeito, e Alice, pela segunda vez, pensou que viveria ali o resto da sua vida, num futuro colado a André e a Sul do seu passado. Ali ficariam os dois, até embranquecerem lado a lado.
E nesse ridículo e doce pensar, continuando, continuava feliz...
Mas o futuro nunca existe no presente e aparece sempre em formas raras, disformes e tantas vezes imprevisíveis. Alice nunca estaria preparada para um futuro que se escondia.
Começaram a ser felizes por momentos, e rápidamente nada se preservava, tudo se movimentava numa incontância que Alice não alcançava.
Alice, vivendo tudo por acreditar, estancava as lágrimas que silenciosamente corriam a medo, com pavor que o sonho acabasse, negou-se tantas vezes a despertar.
Sempre entrelaçada naquela teia finiha, que ela própria ajudaria a construir, nuca mais conseguiria entrelaçar-se em si mesma.
André continuaria a viver como sempre viveu, Alice nem sabia o que isso era, ardendo por saber entender.
André continuava assim... Alice continuava assim...
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A SENHORA DA ESCOLA DE LÍNGUAS
Naquele prédio, no sítio que ele queria, na melhor Avenida da cidade.
Era ali que André queria morar, se fosse naquela cidade... a Sul.
Disse-mo um dia, nos nossos primeiros passeios naquela cidade que eu já tinha adoptado.
"Alice, era nesta Avenida que eu gostava de viver."
Eu já vivia perto dali, numa casa que ele não queria querer.
Nesse dia, tornei imperativo conseguir uma casa naquela Avenida... (assim até podia ser que André viesse viver comigo, pensei com um sorriso escondido de todos).
Semanas mais tarde, depois da minha busca desenfreada e incansável, estavamos de mudança para a nossa casa naquela  Avenida. 
Já iamos os três, eu, André e a Beky, a nossa "menina" cão selvagem.
Naquele prédio, havia uma Escola de Línguas.
Os professores fumavam cigarros, no passeio em frenta à porta daquela Escola. As montras eram enormes, e via-se tudo lá dentro daquela Escola de Linguas...
Todos os dias eu passava e olhava, e todos os dias, alguém do outro lado do vidro me olhava com um olhar fulminate, cru e assustador. Um olhar que parecia ameaçar qualquer coisa, eu não entendia esse olhar.
Aquele olhar arrepiava-me, cortava-me como uma faca afiada de azedume .
O olhar duma mulher ferida, destratada, mal amada? estranho, estranhava aquele olhar...e porque mo dirigia a mim...?
Uma mulher que eu não comnhecia, uma mulher que fumava cigarros à entrada do meu prédio, à porta daquela Escola de Linguas. Que eu não conhecia, mas que notoriamente me conhecia a mim, sabia quem eu era.
Incomodava-me.
Entrava na porta do prédio, quase sempre carregando esse olhar que eu não entendia e que me pesava muitíssimo.
E um dia, subindo a Avenida, um saco de compras na mão, calor... um vestido azul turquesa com flores brancas, pesad e cansada. Avistei do fundo da rua, que André falava com alguém junto à porta do prédio.
Estavam de costas voltadas para mim...eu ia subindo a rua... devagar. A nossa "menina" cão selvagem , presa pela trela , irrequieta como só ela sabia ser, lutava com a trela para ficar livre...André segurava a trela com força. Eu ia subindo a rua...
Ao aproximar-me , reparei nas expressões das suas caras. Primeiro na dele , e só mais perto reparei na postura e fisionomia dela , era a mesma mulher que me cortava ao meio com o olhar.
André estava quase inexpressivo e assustado.
Ela, com a mesma expressão de fúria , raiva e desilusão , que eu já conhecia, ralhava. Ela ralhava furiosamente com André.
Qualquer coisa ouvi...dito num inglês americanizado...qualquer coisa como : "Espero que sejas feliz", voz rouca de raiva, sussurava com ódio.
Aproximei-me atónita, e incompotavelmente senti-me uma intrusa , à porta do meu prédio...
" Olha Alice, apresento-te.... ela é que te pode dar umas lições de inglês...". Disse-me isto assim de rajada, atabalhoadamente, sem qualquer sentido. 
Lições de inglês...? mas para que raio queria eu lições de inglês...
André disfarçava não sei o quê duma forma idiota, sem nexo...sem contexto.
Enquanto isso, eu era alvejada pelo olhar daquela senhora, que afinal se chamava Roberta e era professora de inglês naquela escola.... nada de novo... e que obviamente estava nuito irritada com André. 
mas o que se teria passado...?
Agora que olhava bem para a cara da senhora, lembrei-me que já me tinha sido apresentada por André, há meses atrás...num bar por ali, onde estive com ele, e a quem fez questão de cumprimentar efusivamente, sem propósito , sem graça e provocatório... era esta a mesma senhora que já nessa altura me lançou um olhar que não esqueçi. Era a mesma.
Não disse nada, e forçando um sorriso entrei na escada do prédio, era evidente que eu estava ali a mais, eu e a Beky, que também nada tinha a ver com aquela estranha história...
André veio atrás de mim, subimos no elevador sem nos olharmos, calados...ele trémulo, e eu ainda mais assustada, sem saber porquê.
Mistérios a mais, histórias que eu não sabia, omissões, inverdades.... ingredientes certos para matar a confiança.
Entrámos em casa , de costas voltadas , em silêncio gritavamos palavras.
"posso fazer-te uma pergunta , André? "
"Claro, o que é que queres saber..? "
"Alguma vez aconteceu alguma coisa entre ti e aquela senhora? "
Nem sabia como a tratar...era uma senhora , sim deviar ter mais quie cinquenta anos...
"Claro que não Alice! conheci a Roberta há dois anos atrás no ginásio lá de Vilamoura, ficámos amigos...conversávamos bastante,. Ela é americana e veio viver para cá sozinha com os filhos, e encontrei-a aqui por acaso."
A mentira escancarada no seu sorriso nervoso, a mentira que eu não quis ver, a mentira espelhada naqueles seus olhos que escureceram de repente, e ficaram cor de garrafa.
Fingi não ver, e fingindo acreditar , continuei...e pensei...
-- Depois , Alice vais buscar o unto para a alma e ficas pronta para outra.--
Só o nome me arrepiava , Roberta. Recordei todos os olhares carregados de ácido, que me queimavam todos os dias quando subia a rua.
Mas---- aquela era a mesma cara que um dia eu encontrei numa foto escondida...na primeira casa, quando André me tirava fotos apaixonadamente, um dia quase sem querer encontrei ...
Mentia-me , enão queria contar.
Admiti a mentira, tolerei, e encontrei razão mais que suficiente no facto de se alguma coisa se tvésse passado, tinha sido antes de mim. Foi antes de nós. Não se apagam quarenta anos duma vida só porque te apaixonas outra vez.... assim eu desculpava André.
Só a foto não encaixava naquela história construida por mim, a foto era recente. Não encaixava na minha "gavetinha" secreta.
Esqueci a foto porque me incomodava, incomodava e estragava  tudo!
Consola-te assim, com inverdades.
Mas é normal, é tudo normal! O meu unto é que já estava no fim...o unto para a alma...onde irei buscar mais?
Mais tarde, muito mais tarde no tempo, sem eu querer chegou-me assim de bandeja toda a história da americana, que vei viver para o Algarve, atrás dum sonho. Atravessou o mar imenso, só porque também ela ouviu um grito mudo e acreditou naquele olhar que não se decifra.
Quando ouvi, nem quis acreditar.
Hoje, nem sei porque nunca me contou essa história.
Omissões , inverdades...

(continua...) 




























8 comentários:

Inês Dunas disse...

Não pode ser antes dois capitulos por dia? LOL
É q estou a gostar tanto...
Continuando assim, (lol) terei de os reler mais de uma vida para se aquietar esta minha expectativa, se bem q calculo o desfecho da historia, estranhamente, pq não existem coincidências, as princesas apaixonam-se sempre por sapos...
Beijinho tão grande em ti Teresa e na tua deliciosa Alice...

Lou a esquizoffrenica disse...

Li ainda ontem mas já não tive forças para comentar. Estou a adorar , mas já se vê que não vai acabar bem. No entanto continuo a achar que a Alice fez bem em tentar ...

Chica disse...

Lindo e são essas omissões ou inverdades que podem atrapalhar tudo...vamos esperar a continuação!beijos,chica

João Vasco disse...

Aguardamos mais notícias de Faro

O Santo Forte disse...

Queria uma ajuda sua se você puder é claro tou fazendo um declaração de amor pra uma pessoa muito especial e gostaria de sua ajuda ex: você tira uma foto sua e escreve esses dizeres Fernanda aquixxx (o nome da sua cidade ) todos ja sabe que Herberth te ama muito, mas informações no meu blog se você puder divulgar abradeço de coração...

Francisco Vieira disse...

O nivel mantem-se :-)

Bom fim de semana Teresa

Beijos

continuando assim... disse...

obrigada Francisco.

Jo]ao, obrigada por seguires

Santo forte, n]ao sei se te posso ajudar. beijo

Chica, omiss]oes e inverdades estragam tudo....volta sempre , beijo

Lou e In}es, outro beijo!!

Viiii disse...

E as Alices de plantão ficam a torcer por um final feliz...
Beijos