terça-feira

ALICE DECIDIU - capítulo 4

Começou por pensar como se iria organizar para seguir com aquela aventura tão desejada, e na qual tanto queria acreditar, e sem nada temer, recordava só o que de bom sentia.
Alice não queria lembrara as lágrimas que tão recentemente lhe tinham queimado a cara. Esquecia-se das ausências de André, das suas atabalhoadas justificações quando não aparecia, depois de Alice ter engolido uma enorme estrada, sempre na esperança de o encontrar. Sempre sem saber como o iria encontar.
Afastava dela tudo o que lhe era incómodo lembrar, guardava, fechava, trancava, arquivava tudo desordenadamente. 
Defendia-se dela própria duma forma insegura, e inconsequentemente esperava por André.
A partir dali, queria acreditar naquilo que julgou um dia não existir. Seguia os atalhos da sua imaginação, e teimosamente nada queria adivinhar.
Fechava portas com força, atrás de si, e abria janelas devagarinho, à sua frente.
Deixava a sua casa ainda a cheirara a nova, cheia de recordações de outros amores, diferentes passados.
Alice acreditava que todos nós somos fabricados pelo nosso passado.
Depois de juntarmos tudo o que nos acontece desde o início na nossa existência, vamos sendo edificados com sensações, memórias antigas, memórias dum passado recente, memórias dum instante imediato. Memórias que nos tornam num imenso edifício, num pesado "monte" de nós mesmos. 
Para Alice era tudo tão evidente, pensou não ter dúvidas, pensou que poderia decidir assim... e enfrentava o futuro com audácia.
Aquela casa, a casa da sua Vila, ficaria ali à espera dum futuro qualquer. Destino esse que não inquietava Alice, fechando a porta atrás de si, começava agora a ser só o seu passado e seria sempre tudo o que já tinha alcançado ser. Depois de lhe ter dado tudo o que de bom  Alice conseguia sentir. 
Alice nada mais queria, fechava aquela porta atrás de si.
Em poucas horas, com a ajuda da sua amiga Diana, conseguiu arrumar tudo o que lhe iria fazer falta e pouco iria precisar na sua nova morada. Pouco mais do que coragem para enfrentar tudo o que ainda não conhecia.
E cheia de certezas construídas dentro de si, definiu o resto da sua vida dum momento para o outro.
Seguiu um dos caminhos que feitos de terra lamaçenta , se separavam à sua frente. Um deles escolheu prontamente, o caminho que acreditou como certo, o caminho que a levaria a André.
Alice não percebia porque é que a sua decisão não fez com que André vibrasse , como cordas de guitarra andaluza, como ela tanto gostava de ter ouvido.
Sempre lhe passou ao lado toda a inércia de André perante aquela grande decisão, e a sua apatia instalada como pedra era sempre confusa e ilegível para Alice.
Dissimulava sempre o incómodo que isso lhe causava, arrumava-o interiormente, num sítio qualquer... Inventava "gavetinhas" imaginárias onde guardaria as dúvidas, as frustrações, as esperanças e os sonhos visionados. Decidiu que só ela poderia abrir e fechar as suas "gavetinhas".
Movida só pelo seu mais profundo querer, deixava-se levar por um estado de euforia, silenciosa e viciante. Tal como como duma droga qualquer, Alice já estava dependente daquele sentir, mesmo sem se aperceber.
Convencida que era a decisão mais acertada, e que só assim poderia decifrar o que a baralhava em tudo o que André fazia, em tudo o que ele pensava, deixou o trabalhos que tinha; fechou a porta da sua casa, na sua Vila, e sem medo a tremer  de expectativa, não quis lembrar o passado. 
Partiu confiante na sua decisão.
Tinha conseguido arrendar um pequeno apartamento, já mobilado, numa zona central de Cidade de Faro.
 As mobílias eram antigas e feias, cheias de frisos com reentrâncias que escondiam histórias por contar, paninhos de renda por todo o lado.
E o feio pareceu-lhe bonito. Alice sabia que de repente conseguiria transformar tudo com a sua varinha mágica , impelida pela sua enorme esperança.
Era naquele acanhado espaço, que iria começar a travar uma batalha de sobrevivência emocional ainda não percebida.
Mudava-se, de armas e bagagens, para aquela Cidade a Sul do seu passado.
Convencia tudo e todos que esta mudança radical seria o melhor para ela, seria o melhor para todos. E tudo e todos, só a querendo ver feliz, diziam-lhe que sim. Um sim cheio de reservas , um sim para não lhe perturbarem os sonhos, mas sem o entusiasmo que Alice teria gostado de ouvir.
Não quis reparar no visível e consolava-se com o que não via.
Submersa na sua própria excitação, nem reparava que ela era só sua.
Começou a viver nessa casa de mobílias feias e cores escuras, com a solidão como um hóspede que não convidou. 
Nunca pensou que se destruía porque só encontrava sentido em tentar construir tudo à sua volta.
Alice queria partilhar tudo com o seu estranho homem alado, aquele que um dia, lhe caiu aos trambolhões na sua varanda . Era um mágico indecifrável que se tornou uma razão de vida quase doentia, e que habilmente vagueava por ali, à sua volta. Envolvia-a com fios quase invisíveis, e de tão fortes que nunca se partiriam.
André assistia a todo o frenesim de Alice sedutoramente intimidado, e no seu susto cativava-a  suplicando protecção, num passar de emoções confusas que tanto fascinavam Alice.
André sabia-o, e umas vezes divertidas, outras tristes e tantas vezes obstinado, deixava que a teia se fizesse sem pressa, enrolando-se num ritmo compassado por ele. 
André enervava-se no seu mundo, naquele onde Alice não existia.
Alice enleava-se nesses fios fininhos e resistentes como aço, sentindo-se feliz por nem mesmo ela os conseguir quebrar, divertia-se nesse aprisionar de sentimentos.
Pensou que o amor fosse assim mesmo, amou como quem ama uma alma que não se mostra e nunca se deixa agarrar. Amava um sopro doce e breve que lhe percorria o rosto devagar, e que sem nunca avisar desaparecia levado por uma rajada de vento, deixando-lhe um arrepio que se eternizava na sua pele.
Alice sentia que iria começar a viver outra vez, uma vida decidida por ela .

4 comentários:

Sandra disse...

AMIGA, NESTE DIA TÃO ESPECIAL..
MULHERES ESPEICIAS..
UNICAS CRIADAS POR DEUS...
LUZ AOS OLHOS DO MUNDO..
HERANÇA QUE VEIO PARA FICAR NA HUMANIDADE.
ESPERANÇA DA CONTINUIDADE DA VIDA!
RAINHAS PARA OS CORAÇÕES APAIXONADOS DE UM GRANDE HOMEM.
ETERNAS NO SEU AMOR...
SABIAS NAS SUAS ATITUDES.

PARABÉNS A TODAS NÓS, QUE SOMOS GUERREIRAS, AMANTES, SABIAS, CORAJOSAS, ADMIRÁVEIS AOS GRANDES OLHOS DE DEUS..
FEMININAS E SEDUTORAS...
FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

CARINHOSAMENTE,
SANDRA

VEM BUSCAR SEU SELINHO DA MULHER..
CURIOSA LHE OFERECE DE CORAÇÃO..

Sandra disse...

desculpa acho que saiu duplicado.
AMIGA, NESTE DIA TÃO ESPECIAL..
MULHERES ESPECIAIS..
UNICAS CRIADAS POR DEUS...
LUZ AOS OLHOS DO MUNDO..
HERANÇA QUE VEIO PARA FICAR NA HUMANIDADE.
ESPERANÇA DA CONTINUIDADE DA VIDA!
RAINHAS PARA OS CORAÇÕES APAIXONADOS DE UM GRANDE HOMEM.
ETERNAS NO SEU AMOR...
SABIAS NAS SUAS ATITUDES.

PARABÉNS A TODAS NÓS, QUE SOMOS GUERREIRAS, AMANTES, SABIAS, CORAJOSAS, ADMIRÁVEIS AOS GRANDES OLHOS DE DEUS..
FEMININAS E SEDUTORAS...
FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

CARINHOSAMENTE,
SANDRA

VEM BUSCAR SEU SELINHO DA MULHER..
CURIOSA LHE OFERECE DE CORAÇÃO..

continuando assim... disse...

obrigada Sandra , bem vinda
e espero que gostes da história :)
bj

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Querida, muita obrigada pelo convite, aceito e continuo. Porém, há certas coisas que não dá para fazer na hora. Enxergo pouco em determinadas horas do dia *Diabetes infantil*. Li bem, mas apara escrever, agora não dá. Volto.

*Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato.

Fernando Pessoa *Ricardo Reis*

*Eu não quero mais do que isso*
Só quero que me surpreendam como você, Mulher Maravilhosa**************
Beijos
Renata